quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Prévia da Trilogia Crônicas de Arcturus

ACEITO DOAÇÕES!



Livro I - O Arco do Infinito


Abrir meus olhos e percebi a minha volta um lugar inóspito, decadente e nojento olhei para o teto que gotejava um liquido avermelhado sobre minha testa, a principio não possuía odor, as paredes eram envelhecidas e manchadas por pinturas de alguém que desejava mudar o visual de sua casa, porém não tinha o menor talento para fazê-lo. Tentei levantar da cama, porém não sentia minhas pernas, tentei toca-las com minhas mãos, porém somente na mão esquerda eu tinha sensações, mesmo estas estando em seus devidos lugares, ainda sim conseguir levantar e caminhar dentro daquele habitar estranho, isso me surpreendeu, pois como poderia caminhar sem sentir minhas pernas? Enquanto questionava dentro da minha mente como aquilo era possível, ouvir um barulho vindo do lado de fora, um estrondo como se algo imenso, realmente gigantesco estivesse se aproximando daquele lugar, imediatamente me dirigir para a janela e no ímpeto da minha curiosidade esfreguei a mão no vidro que há muito tempo parecia não ser limpo, nesse instante como uma sombra, avistei uma descomunal nave, seu formato era piramidal, sua estrutura era rustica, em seu casco observam-se vários orifícios como se houvesse participado de diversas batalhas, porém aparentemente sem muitos danos graves, no centro havia um enorme canhão que só de olhar causava calafrios, jamais desejaria ser um inimigo em frente a esta arma de guerra. Ao seu lado havia diversos pequenos drones tripulados por soldados fazendo uma espécie de patrulha em toda a região. Tamanha era a grandeza daquela nave que não me dei conta que o local ao qual estava era totalmente desconhecido para mim, não me dei conta que sequer sabia o porquê de eu está naquele lugar, afinal eu era... Eu me chamava... Eu pertencia...Eu era...
- O que está acontecendo comigo?
- Que dor terrível é esta em minha cabeça?
- Que zumbindo infernal é este que estou sentindo agora?
Foi então que percebi que não lembrava quem eu era, qual era minha origem, fiquei desnorteado, desorientado, cada vez que eu tentava lembrar algo em minha cabeça surgiam dores incompreensíveis como se fossem agulhas perfurando minhas lembranças e em meio a tudo isso na minha mente apareciam flash de imagens e sons de coisas, de pessoas, de momentos ao quais eu não lembrava. Tudo era tão embaralhado, tudo era tão incompleto que apenas confundia ainda mais meu entendimento das coisas ao meu redor. Mesmo assim queria entender o porquê daquelas imagens e sons e o que aquilo tudo significava, foi assim que notei que dentre estas imagens uma em especial se repetia, se destacava, se sobressaia das demais era a imagem de uma mulher, uma belíssima mulher com olhos castanhos como o mel, cabelos loiros reluzentes como o sol, seu rosto era torneado como se houvesse sido feito por um artista, seus lábios eram vermelhos, intensos e atraentes quase irresistíveis, só conseguia focar em seu rosto, eram imagens rápidas e pouco nítidas que viam a minha mente, ao fundo dava-se para ouvir pessoas gritando, sons de espadas e canhões de guerra, tudo muito atordoante, E nesse furacão de imagens e sons eu a ouvi sussurrar bem baixinho a palavra...
- Kane... Kane...- Falou a Mulher Misteriosa
- Seria esse o meu nome? Questionei-me, Ela continua a falar.
- Kane... Kane... Kane Slade... Nós precisamos de você...
Despertei daquele amontoado de imagens e sons, Não restava dúvida esse era o meu nome, já era um passo inicial para descobrir qual a razão de estar naquele lugar e o porquê de eu não conseguir lembrar nada do meu passado.
Enquanto eu tentava compreender minha real situação, ouvi sons de tiros sendo disparados, corri novamente para a janela e vi que o esquadrão aéreo municiado com centenas de metralhadoras automáticas disparava contra a multidão que se encontrava logo abaixo do prédio em que eu estava, olhei com atenção e verifiquei que os tiros eram direcionados a uma pessoa em especifico, como estava distante não conseguir visualizar seu rosto, porém identifiquei que ele usava um casaco sobretudo cinza rasgado nas bordas, por baixo deste casaco percebi uma calça preta e uma camiseta branca com uma frase, porém não conseguir lê-la. O cara que as tropas perseguiam iniciou sua fuga alucinante, se esquivando entre carros e pessoas e em um instante inacreditável com apenas um pulo esse fugitivo alcançou um drone que estava a uns dez metros de altura derrubou o piloto, assumiu o controle do veículo, acelerou em direção a duas torres de comunicação que estavam a sua frente e em um feito incrível, atirando contra a base de sustentação das torres, as derrubou interrompendo a passagem da gigantesca nave piramidal que o perseguia, forçando-a manobrar para outra rota e com isso ganhando tempo para sua debandada, observei que o cara estava saindo do norte em relação ao meu ponto de vista e se aproximando cada vez mais do prédio em que eu me encontrava. Em pouco tempo o individuo se aproximou da rua que dava acesso ao edifício, neste momento ele foi cercado por dois drones remanescentes da tropa que já estavam rondando a região, imediatamente os soldados abriram fogo contra este fugitivo, um dos tiros acertaram o propulsor esquerdo do drone e em mais uma atitude incrível ele direcionou o drone que estava pilotando em direção a um dos soldados enquanto se lançava no outro como uma fera que pula em sua presa, rapidamente ele estava livre daquele empecilho e dessa vez adentrando no edifício que eu me localizava.
Como era esperado todos os outros drones e a gigantesca nave direcionaram seus faróis, lanternas e refletores para o prédio, tornando-o o centro das atenções naquele momento, imediatamente me afastei da janela e me escorei atrás da porta. Afinal não sabia o que estava para acontecer, não sabia sequer quem eu era e se talvez eu estivesse envolvido com aqueles acontecimentos.
Os sons das sirenes em torno do edifico era ensurdecedor, as luzes que eram lançadas contra a fachada do prédio eram ofuscantes a todos os residentes do imóvel, ouvia-se através do megafone os soldados alertando:
- ATENÇÃO A TODOS OS MORADORES MANTENHAM-SE EM SUAS RESIDÊNCIAS!
- NOSSAS EQUIPES ESTÃO A PROCURA DE UM FUGITIVO ALTAMENTE PERIGOSO!
Tudo aquilo me deixou assustado, uma sensação de medo pelo que estava por vir, algo me dizia que por algum motivo eu estava envolvido naquilo tudo, minha perda de memória, minhas pernas e mão direita estarem sem tato, isto de alguma forma estava conectado, foi quando vi o display da porta mudar de vermelho para verde, então rapidamente peguei uma barra de ferro que estava atrás da porta e no momento em que ela abriu, eu arremessei com toda minha força contra a pessoa que entrou no local onde eu estava. Nesse instante como previsto pelas minhas sensações anteriores de angústia, o homem que entrou no local era o cara perseguido pelas tropas militares. Ele rapidamente segurou a barra de ferro como se fosse um pedaço de leve de madeira, rodopiou o metal e o colocou transversalmente por sobre os ombros.
- Ei! Kane você está louco? – Disse o fugitivo.
- Quem é você? Como sabe meu nome? – Indagou Kane.
- Sou eu Haddar, seu melhor amigo, não se lembra de mim?
- Eu estou confuso, não me lembro de nada de minha vida, não sei o que estar acontecendo comigo – Expressou Kane com um semblante abatido.
- Você perdeu a memória? Como previsto você sofreu mesmo este efeito colateral – Disse Haddar.
- Então você sabe por que eu estou assim? – perguntou Kane.
- Sei sim Kane, porém este não é o momento de explicações, como você já deve ter visto estou sendo perseguido pelas tropas do Rei Atherion, tudo devido eu ter ajudado você fugir do quartel general de Achernar, Siga-me e te explicarei tudo.
- Já que você sabe o motivo do meu estado, então irei com você, porém uma pergunta como nós iremos sair daqui? – Ironizou Kane.
                Ouviram-se passos sincronizados, eram as tropas do Rei que acabara de chegar ao 25º andar do edifício, exatamente no apartamento que Kane e Haddar estavam alojados.
- Atenção morador do apartamento 177A abra sua porta, estamos em revista autorizada em nome do Rei Atherion – Falou o Soldado.
- E agora Haddar o que vamos fazer? – Disse Kane
- É... Realmente..., vejo que você perdeu sua memória, logo o senhor General – comentou Haddar.
- Eu um General? – Indagou Kane em sua mente.
                Rapidamente Haddar subiu no teto do apartamento e ficou pendurado acima da porta com uma espécie de gancho encravado na parede. Em alguns segundos com troca de olhares Haddar havia formulado um plano com Kane para fugirem daquele prédio.
- Este é o ultimo aviso morador, abra sua porta ou seremos obrigados a usar força bruta para cumprirmos a ordem do Rei – Repetiu o Soldado.
- Calma... Calma... estou abrindo a porta senhor Oficial – Gritou Kane
                Abrindo a porta havia uma patrulha básica de cinco soldados, todos vestiam roupas pretas em couro, suas botas possuíam coberturas metálicas que simplesmente esmiuçavam os ossos de quem eram chutados, usavam também capacete e colete a prova de balas, no alto dos ombros eles levavam uma estrela vermelha de três pontas símbolo do Reino de Arcturus, cada um usava granadas penduradas nas cinturas além de munição extra no tórax, todos os soldados estavam organizados no corredor do edifício, um primeiro Oficial logo à frente com uma submetralhadora Tiger 300, dois soldados a direita portando ambos os Rifles Eagles 400A de curto alcance calibre 40, um soldado a esquerda carregando um Revolver Torpon 50 cano triplo e por fim um soldado na retaguarda em frente ao elevador portando também a submetralhadora Tiger 300.
- Espere um pouco, como eu sei de todas essas informações? – se perguntou Kane
- É extremamente estranho eu não saber nada sobre minha origem, porém sei perfeitamente descrever cada arma portada pelos soldados – continuou Kane a se indagar.
- Bom dia senhor, precisamos revistar seu apartamento – disse o Oficial.
- Claro, claro Oficial fique a vontade – respondeu Kane
                Retirando um scanner ocular da jaqueta, o Oficial faz a leitura da íris de Kane, identificando no visor do scanner a identidade do General Kane Slade. E então em um instante ambos, Kane e o Oficial já sabiam o que iria acontecer.
- Senhor General não tenho escolha preciso leva-lo preso – disse o Oficial.
De maneira irônica Kane aceita a rendição aguardando o que Haddar estava para fazer, ao levar as mãos em direção ao Oficial, Kane ouve um pino de granada sendo retirado e a granada sendo lançada no corredor do 25º andar.
- Senhor! o outro fugitivo estar com ele escondido no apartamento – Gritou outro soldado
A granada explode, era uma granada de fumaça, ouve-se muito barulho os soldados abrem fogo contra Kane, Haddar lança um pedaço de metal que se abre nas mãos de Kane servindo de escudo contra as balas dos soldados. Haddar retira uma pistola eletroestática e abre fogo contra os soldados, o primeiro é o Oficial que estava próximo da porta do apartamento, Haddar atira em seus pés amplificando o poder elétrico dar arma, devido os metais que cobrem as botas dos soldados, o Oficial desacorda, Haddar usando o Oficial como escudo retira a submetralhadora Tiger 300 deste e a arremessa para Kane.
- Segura Kane e me dar uma força aqui! – grita Haddar
Kane se mostra totalmente perdido diante da situação, enquanto Haddar avança sobre os outros dois soldados da direita.
 Os outros soldados continuam a atirar contra Haddar e Kane, enquanto Kane se mantem protegido atrás do pedaço de metal, Haddar utilizando extrema agilidade, praticamente esquivando de todos os tiros efetuados pelos soldados, os projeteis que Haddar não consegue esquivar são ricocheteados pela lâmina da espada que ele segurava. Haddar consegue se aproximar de um dos soldados da direita do corredor, redirecionando a arma deste em direção ao outro soldado a sua frente abatendo-o imediatamente, enquanto dar um salto girando seus pés e acertando ambos os soldados da direita desacordando-os. Neste instante após estes feitos incríveis, Haddar vacila por um momento deixando seu corpo sem proteção, o que permite ao soldado que se encontra próximo ao elevador efetuar um tiro perfeito, impossível até mesmo para Haddar desviar.
- HADDAR! – Grita Kane
Em um lampejo cerebral tudo parecia muito claro, eu sabia o que deveria fazer, eu sabia como agir, eu sabia como salva-lo, naquele momento tudo parecia simples e muito fácil de ser resolvido. Kane efetua um único tiro com sua submetralhadora Tiger 300 em direção ao projétil que foi lançado contra Haddar, às munições se encontram em pleno ar em um choque matematicamente calculado, salvando Haddar daquele tiro que seria fatal. Haddar então fica surpreso e diz: - Finalmente General, eu vejo que não se esqueceu de tudo que aprendeu em nossos treinamentos militares.
Sem tempo para conversarem Haddar retira uma faca militar de trás da sua cintura e arremessa contra o soldado em frente ao elevador, que é acertado fatalmente na cabeça num golpe simples e necessário para fuga.
- Precisamos fugir de Achernar, se fomos pegos será o fim do reino de Arcturus! – exclamou Haddar
Enquanto Haddar alertava Kane para fugir da capital Achernar o Comandante da gigantesca nave piramidal, a grande Volcano Sky recebia um comunicado em seu display principal vindo direto do palácio Vermelho com a seguinte mensagem:
- COMANDANTE DA VOLCANO SKY ATIVE O CANHÃO DE PARTÍCULAS ALPHA E DESTRUA O EDIFÍCIO IMEDIATAMENTE! – REI ATHERION
Uma mensagem expressa do Rei era irrevogável, pois o canal usado para transmitir tal mensagem era exclusivo da realeza. Iniciada a ordem Kane e Haddar tinham exatamente 2 minutos para fugirem do prédio sem que tivessem suas vidas aniquiladas por aquele canhão.
                Antes que Kane e Haddar tentassem usar o elevador para fugir, a energia do prédio foi cortada, impossibilitando o seu uso.
- Não existe outro jeito de fugimos, venha comigo Kane – Disse Haddar
- Você não ver que cortaram a energia? – replicou Kane
- Por isso mesmo que só temos esse jeito de sair daqui! – falou Haddar
Nesse instante diversos clarões azuis começaram a iluminar o edifício e invadir cada canto escuro dos apartamentos.
- Essa não! Vão destruir o prédio, ligaram o CPA (Canhão de Partículas Alpha) – falou apreensivo Haddar.
 Estrategicamente Haddar retira a faca que estava na cabeça do soldado abre porta do elevador, remove o tampão do teto e sobe na parte externa do mesmo, Kane o segue. Prevendo o que iria acontecer, Haddar diz:
- Se segura com força Kane – Sorrindo ironicamente corta os cabos de força que sustentavam o elevador.
Ambos caem em queda livre, seus corpos levitam pelo ar, devido à velha lei da inércia, enquanto que as luzes do CPA mudam de cor e ficam vermelhas, indicando que restam apenas 1 minuto para o disparo ser efetuado.